A ideia de diversidade está ligada aos conceitos de pluralidade, multiplicidade, diferentes ângulos de visão ou de abordagem,
heterogeneidade e variedade. E, muitas vezes pode ser encontrada na comunhão de contrários, na intersecção de diferenças, ou ainda, na tolerância mútua.
Por conta de sua geografia e dos mais variados costumes do seu povo, o Maranhão se autointitula como um Estado da diversidade cultural. Por conta disto, São Luís, a capital brasileira fundada pelos franceses, visitada por portugueses, africanos, índios, entre outros povos da Terra, recebeu em 2009 o título de "Capital Brasileira da Cultura", tendo como foco a gama de manifestações artísticas existentes ao longo de sua história.
E foi pensando em discutir "O Artista e a Sua Convivência com a
Diversidade Cultural existente no Maranhão", que os alunos do 5º
período de Jornalismo da Faculdade São Luís resolveram organizar a
"Fórum João do Vale de Cultura". O encontro aconteceu quinta-feira, 26, no auditório da IES, Dr. Vasquez Ver-Vellen. Estiveram presentes na ocasião a teatróloga Gisele Vasconcelos e o folclorista e jornalista Herberth de Jesus Santos.
A ideia do Fórum, que objetivou questionar se a diversidade tão comentada pelos quatro cantos do Estado está contextualizada com o global e com as novas ferramentas de tecnologia e comunicação, surgiu em meio a disciplina de Jornalismo Cultural, orientada pelo Professor Pedro Sobrinho. Vale ressalvar que o encontro também foi uma forma de reverenciar o cantor e compositor pedreirense João do Vale, um exemplo de diversidade, uma espécie de divisor de águas na música produzida por maranhenses.
Sobre João do Vale
João Batista do Vale mais conhecido como João do Vale (Pedreiras, 11 de outubro de 1934 — São Luís, 6 de dezembro de 1996) foi um músico,
cantor e compositor maranhense.
De origem humilde, João sempre gostou muito de música, aos 13 anos se
mudou para Sao Luís. Em 1964 estreou como cantor. Suas principais
composições são: Carcará em parceria com José Cândido e imortalizado
na interpretação de Maria Bethânia, Peba na pimenta com Adelino Rivera
e Pisa na Fulô com Silveira Júnior.
João Batista do Vale desde pequeno gostava muito de música, mas logo
teve de trabalhar, para ajudar a família. Aos 13 anos foi para São
Luís MA, onde participou de um grupo de bumba-meu-boi, o Linda Noite,
como "amo" (pessoa que faz os versos). Dois anos depois, começou sua
viagem para o Sul, sempre em boléias de caminhões: em Fortaleza CE,
foi ajudante de caminhão; em Teófilo Otoni MG, trabalhou no garimpo; e
no Rio de Janeiro RJ, onde chegou em dezembro de 1950, empregou- se
como ajudante de pedreiro numa obra no bairro de Ipanema.
Passou a frequentar programas de rádio, para conhecer os artistas e
apresentar suas composições, em maioria baiões. Depois de dois meses
de tentativas, teve uma música de sua autoria gravada por Zé Gonzaga,
Cesário Pinto, que fez sucesso no Nordeste. Em 1953, Marlene lançou em
disco Estrela miúda, que também teve êxito; outros cantores, como Luís
Vieira e Dolores Duran, gravaram então músicas de sua autoria. Em 1964
estreou como cantor no restaurante Zicartola, onde nasceu a ideia do
show Opinião, dirigido por Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e
Armando Costa, que foi apresentado no teatro do mesmo nome, no Rio de
Janeiro.